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sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Informação é de graça?

Achei boa esta propaganda do Estadão. Pena que está cheia de erros. Vamos ver?

  1. Informação passa? Até onde sei informação é estoque. Ela fica registrada em algum suporte e, geralmente, tem um bibliotecário para armazenar e catalogar.
  2. Conhecimento fica? Conhecimento é fluxo.
  3. Conhecimento é para sempre? Não, conhecimento é mutável. Amanhã posso ter mais informações sobre alguma coisa e posso mudar completamente meu julgamento de valor.

Sem contar as coisas que ficam meio abertas, por exemplo:
  1. Conhecimento é difícil de achar? Conhecimento é díficil de mensurar, de pegar e a partir do momento que você registra ele vira informação. Então, você não acha conhecimento.
  2. Informação vem até você? Nem sempre. Na maioria das vezes você toma uma decisão com um monte de lacunas de informação que não são encontradas.
  3. Informação é de graça? Sim, maior parte delas é. Mas as melhores, geralmente, você tem que pagar.

O que tem de certo então?
  1. Informação é diferente de conhecimento.
  2. Informação está em todo lugar.
  3. Informação envelhece.
  4. Conhecimento leva você mais longe.

Final das contas 3 erros, 3 parciais e 4 acertos.

E sim, existe uma linguagem semiótica com as imagens mostradas durante a propaganda, mas não sei fazer análise semiótica.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Educação contínua


Um tema bem comum atualmente e principalmente no curso de Gestão da Informação é Educação Continuada. Postei este vídeo porque é bem interessante. Aposto que a maioria já viu. Mas existem algumas informações que talvez não tenham parado para analisar. São elas:

  1. "Estamos preparando alunos para profissões que não existem";
  2. "Os empregos mais procurados em 2010 não existiam em 2004";
  3. "Alunos iniciando uma graduação técnica de 4 anos, isto significa que metade do que eles aprendem no seu primeiro ano de estudo estará desatualizado no terceiro ano de estudos".

Considerando a afirmação 3

Depois de 6 anos, do início de sua formação, metade do que aprendeu já está desatualizado.


Suposição dos eventos em conjunto


Supondo que um aluno da afirmação 1, iniciou os estudos em janeiro de 2004 e conseguiu um emprego, que não existia na época em que iniciou a faculdade, em janeiro de 2010 (não sei qual a probabilidade da afirmação 1 e 2 ocorrerem juntas). O estudo que ele fez na faculdade varia de:



Sendo que em 50% ele não estudou nada depois de terminar a faculdade (e este índice só está correto se todos os professores passaram matérias atualizadas quando deram aula). E em 85% logo que terminou a faculdade o aluno começou a fazer algum curso, pós-graduação ou mestrado na área.

Fiz os cálculos a título de curiosidade, não é um cálculo sério. Além de não ter um embasamento info ou cienciométrico, este cálculo é ajustado para quem fez curso de tecnólogo. E também, como todos sabemos, conhecimento e inteligência não são fáceis de medir.

De qualquer maneira é bom refletir sobre o assunto.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Análise de Redes Sociais - Reciprocidade



No post passado comecei a falar sobre a medida de reciprocidade. Que é um cálculo simples de porcentagem que verifica qual a taxa de relacionamentos recíprocos e não-recíprocos que cada ator tem. Caso você precise de uma explicação inicial destes termos veja o post "Análise de Redes Sociais - Delimitações e Limitações". Por mais óbvio que pareça é bom deixar claro que relacionamentos não-recíproco são de dois tipos:

  • In ties (de entrada): quando A envia mensagens para B, mas B não envia para A. Neste caso o indivíduo B possui uma relação de entrada, ele só recebe. Um exemplo disso é quando aquele cara pentelho vem conversar e você nem liga.
  • Out ties (de saída): no caso que expliquei acima o Nó A possui um relacionamento de saída.

Dito isto, o próximo passo é apresentar a tabela inicial para o cálculo. Nela é preciso especificar cada tipo de relacionamento que um ator tem. Alguns software fazem isto automaticamente, por sorte, não consegui fazer isso em nenhum dos três que estou usando. Tive que fazer na mão mesmo. Depois de fazer isto, basta calcular a porcentagem de cada tipo de relação considerando o tamanho da vizinhança de cada nó. O tamanho da vizinha é a soma dos relacionamentos de entrada, de saída e recíprocos.



Verificando a tabela podemos comparar e "classificar" os atores. Uma possível classificação, considerando apenas a porcentagem dos tipos de relações, seria:

  • Repeaters: "B", "H", "I", "P", "Q", "S", "U", "V", "W", "Y";
  • Sources (em ordem de maior para menor): "D", "G" e "Z", "C", "k";
  • Sinks (em ordem de maior para menor): "J" e "F";
  • Não classificados: "M", "T".

Preciso fazer um alerta para os atores classificados como "sinks". Os nós "J" e "F" apresentaram um índice de 50% de entrada e 50% recíproco. Ou seja, eles repassam apenas 50% dos 100 que recebem. Isso não é de todo mal, existem modelos de rede de informação que atores do tipo "sink" são necessários para atingir um objetivo. Além disso, verificando apenas o modelo booleano (relaciono-me, não me relaciono) notamos que é mais importante para este tipo de rede possuir atores com o perfil de "J" e "F" do que repeaters como "S", "Y" e "W" que possuem apenas um relacionamento. Lembrando que existem limitações causadas pelas transformações na escala usada, para lembrar das limitações veja o link "Análise de Redes Sociais - Delimitações e Limitações".

Atores com poucos relacionamentos afetam a rede gerando mais poder para alguns indíviduos e fragilidade para o sistema. Volto a ressaltar que isto não é ruim, algumas redes necessitam deste tipo de relacionamento, como por exemplo, organizações com uma estrutura hierárquica definida. Porém, em qualquer caso este poder também é ameaça para o sistema. Pois em casos extremos a falta de um indíviduo pode dividir a rede, algumas vezes em mais de duas partes.

Na figura abaixo podemos mostrar bem esta relação de poder, por exemplo, se tivesse que pedir algo para "W" preciso necessariamente falar com "B". Quanto menos "caminhos" existirem para falar com um dado ator, mais forte ficam os atores que possuem relacionamento com eles. E no caso, os nós em azul são bem fortes.




Na ordem os mais fortes neste aspecto são: "B" e "H", "Q", "T".

Se cortarmos estes atores fora, os nós "W", "Y" e "S" ficam isolados. Já o indivíduo "F" ainda receberia informações da rede.





Ainda existe um cálculo de "betweeness" para gráficos simples (aqueles que não são direcionados), neste caso o ator com mais "degree" (que possui mais relacionamentos) fica na frente. Para esta rede o ator com mais poder segundo o cálculo para representações não direcionadas seria o "K".



Porém, se este ator deixasse de existir a rede funcionaria, como pode ser visto na figura abaixo. E isto demonstra que a escala binária (ou booleana) gera gráficos e análises mais limitadas. No próximo post falarei um pouco mais sobre isso.


terça-feira, 31 de agosto de 2010

Existe produto perfeito?

A palestra do Malcolm Gladwell, o autor do livro "Blink", dá esta resposta.

Este vídeo dá continuidade naquilo que falei sobre a criação de várias opções de produto (no post "O primeiro Customer Relationship Management"). Não sei dizer se tudo realmente iniciou com uma consultoria para pepsi ou para empresas de molho de tomate, não confirmei as informações do palestrante. 

Aceitei como válidas por dois motivos. Primeiro, este fenômeno começou a ocorrer mesmo na década de 70, momento de transição do marketing de massa para o marketing de segmentação, e Gladwell diz que as pesquisas ocorrem nesta época. Segundo, a palestra foi apresentada em um evento mais do que confiável.

Um exemplo do que falei sobre concorrência não-acirrada no post do primeiro CRM, pode ser verificado no trecho "Você está me falando que um terço dos americanos suplica por molho de espaguete com pedaços inteiros e ainda assim ninguém está atendendo suas necessidades". Enquanto naquela época existiam muitas demandas do mercado que não eram supridas, hoje maior parte das empresas lutam com foice no escuro (parafraseando Porter) ou procuram por "oceanos azuis" no mercado.

Peço que prestem atenção naquilo que ele fala sobre ter 3 grupos (ou clusters) para a sopa, para o café e para qualquer tipo de produto. Mais tarde podemos falar sobre tendências na clusterização de dados. Mas este assunto não tem previsão para ser abordado.



Outros pontos levantado serão abordados brevemente. Para a próxima semana vamos ver quais foram as consequências da abertura de várias escolhas ao consumidor, se realmente trouxe felicidade ou não.

Futuramente serão aprofundados temas relativos aos trechos:
  • Desejo de compra (baseado no preço): oferecer algo mais caro para que o consumidor deseje;
  • Segmentação horizontal: oferecer soluções e produtos que são baseados na opinião de um especialista no assunto.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

O futuro dos profissionais de TI

Algum tempo atrás estava lendo o livro, já citado aqui, Dominando a Gestão da Informação e no último capítulo tem um artigo do Peter Drucker intitulado "Lições de história para os revolucionários de hoje".

Comentando um pouco de história ele faz um comparativo entre os tipógrafos e os profissionais de TI. Tanto em uma quanto em outra as revoluções, causadas pela imprensa e pelo computador, geraram uma nova classe de tecnólogos que foram reverenciados e que ganharam/ganham muito dinheiro (bons exemplos de tipógrafos são Aldus Manatius e Christophe Plantin). Porém, com o passar do tempo a tipografia perdeu prestígio porque a indústria passou a ter foco em um profissional que, de certa maneira, gerenciasse a informação. Neste momento o editor começou a desenvolver papel de destaque.

Cito alguns trechos do artigo que demonstram a afirmação:

"...o livro impresso, também pode dar uma lição aos tecnólogos da informação, ao pessoal de TI e SIG e aos diretores de informação: eles não desaparecerão - mas podem estar prestes a se tornar um 'elenco de apoio', em vez de 'superastros' como vêm sendo nos últimos 40 anos..."

Drucker complementa, afirmando:

"... por volta de 1580, os tipógrafos, com seu foco na tecnologia, haviam se tornado artesãos comuns, certamente negociantes respeitáveis, mas definitivamente não pertenciam mais à elite... Logo, seu lugar foi tomado pelo editores de agora (embora o termo não tenha sido cunhado senão muito depois), pessoas e empresas cujo foco não estava mais na tecnologia, mas na informação."

Na minha opinião, o mercado de 1500 não pode ser comparados com o atual. Existem outras maneiras de prolongar o ciclo de vida de um produto/tecnologia, então acho que o "foco em TI" não será perdido tão rapidamente assim. Mas quem sou eu para ir contra Peter Drucker.